No Fio da Noite já está sendo vendido no Rio nas livrarias Timbre e Blooks, e pode também ser comprado através do site da editora: www.bookmakers.com
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Estou lançando um novo livro, SACOPENAPAN.
Vicente, um menino de 13 anos, acaba de se mudar, com seus pais, para o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Um dia, ele entra em uma loja de antiguidades e começa a se comunicar com um diário misterioso escrito há algumas décadas. Em SACOPENAPAN os leitores habitarão um universo que contém baleias, aves e frutas exóticas, fortes militares, o início da bossa nova, a visita de uma rainha e elefantes que passeiam junto ao mar.
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Tradução que fiz de um poema do Philip Larkin:
A casa é tão triste. Permanece como ficou ao ser deixada,
Amoldada ao conforto dos últimos a partir,
Na esperança que se decidissem a ficar. Mas desprovida
De pessoas a quem agradar, ela murcha
Sem ânimo para espantar o vazio e refletir
Os planos alegres do início, ou fazer tudo voltar a ser como devia
Antes de cair. Não é difícil saber como era:
Veja os quadros e o faqueiro.
A partitura no piano. Aquele vaso.
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Home is so sad. It stays as it was left,
Shaped to the comfort of the last to go
As if to win them back. Instead, berefet
Of anyone to please, it withers so,
Having no heart to put aside the theft
And turn again to what it started as,
A joyous shot at how things ought to be,
Long fallen wide. You can see how it was:
Look at the pictures and the cutlery.
The music in the piano stool. That vase.
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Através da Brautigan Library descobri uma pequena editora, a Fast Forward Press, que publica antologias do que se costuma chamar atualmente de “flash fiction”.
São contos muito curtos.
Os menores podem ter apenas uma linha.
Uma das editoras da Fast Forward, Leah Rogin-Roper, fala das suas histórias de uma linha favoritas:
“For sale: baby shoes, never worn.” (“Vende-se: sapatinhos de bebê nunca usados.”) de Ernest Hemingway
Leah Rogin-Roper: “Reza a lenda que Hemingway estava em um bar e alguém perguntou a ele qual seria o mínimo de palavras com as quais uma história poderia ser contada, e Hemingway respondeu que podia contar uma história em seis palavras. Alguém no bar o desafiou a fazê-lo e ele fez essa história. Eu já a ensinei para crianças, e elas tem idéias diferentes e originais sobre os seus possíveis significados. Enquanto a maioria dos adultos diz, “xi, aconteceu algo terrívelcom esse bebê”, as crianças sugerem outras interpretações, como “a mãe do bebê era viciada em compras e tinha que vender alguns dos pares extras por falta de espaço.” É como se a história estivesse enterrada sob as palavras e tivéssemos que escavar para encontrar seu significado.”
“I still make coffee for two.” (“Eu ainda faço café para dois”) de Zak Nelson (em Not Quite What I Was Planning: Six Word Memoirs)
Leah Rogin-Roper: “Uma das coisas que faz essa história ser impactante é a palavra “ainda”. Se o autor usasse outra palavra, seria uma história diferente. Como: “Eu agora faço café para dois.” Nesse tipo de escrita comprimida, cada palavra tem que ser a palavra certa.
“The worst thing about secret girlfriends is that when they get hit by cars you’re not supposed to cry.” (“A pior coisa das namoradas secretas é que quando elas são atropeladas a gente não pode chorar na frente dos outros.”) de onesentence.org
Leah Rogin-Roper: “Essa história é de um autor desconhecido.”
Eu fiquei pensando o quanto é difícil escrever assim. O máximo que eu cheguei a esse nível de concisão foi com uma história que escrevi para uma mostra de arte organizada há alguns anos pela Márcia X.
Na verdade ela tem três linhas e é muito subjetiva, como uma mini-cena de filme.
“Foi só Manuela virar a página para a jovem e bonita policial cair nas mãos do tarado da lavanderia. Mas o que ela tinha ido fazer lá, sozinha, de noite, perguntou inutilmente, tirando os olhos do livro por um segundo. Foi quando ouviu um grito na biblioteca.”
E vocês, leitores, já tentaram escrever assim? Podem me mandar suas histórias de uma ou poucas linhas?
obs: a foto é Launderette – ‘Nevada’, de Jennifer Garza-Cuen
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Chega pelo correio o livrinho usado de poemas de Richard Brautigan. É fininho, as folhas estão amareladas; mas a capa vermelho sangue tem uma urgência anti-nostalgia. Abrindo as primeiras páginas, encontro a dedicatória acima. E ela me comove. Isso já me aconteceu com livros de segunda mão.
“Rommel Drives Deep into Egypt” foi publicado em 1970. Fico imaginando a juventude evidente de Julia e Steve. Ainda mais se eles subiram esse Murray Hill! Num primeiro momento imagino Murray Hill como uma doce ladeira de São Francisco, cidade onde Brautigan morava. Mas o Google me diz que fica em Washington. Perto de uma universidade. Seriam Julia e Steve colegas?
Mais que colegas. Isso fica óbvio pela cumplicidade de subir o morro juntos, em um dia tão bom que impele Steve a comprar o livrinho e dedicá-lo a Julia para que ela não o esqueça.
Então por que o livro está na minha casa, e não com Julia?
Seria melancólico se Julia tivesse morrido e sua família tivesse vendido o livro para uma loja de livros de segunda mão. Seria duro, mas realista, se Julia tivesse se casado com outro, e cansada e prática, e meio a uma mudança, tivesse se desfeito do pequeno volume. Seria chato se Julia tivesse se casado com Steve e depois de um casamento complicado e de um divórcio espinhento ela não quisesse guardar nada que a lembrasse da subida ao morro em 1975, seus cabelos finos e louros brilhando ao sol e a risada de Steve, vindo logo atrás – uma risada tímida mas cheia de um charme afirmativo e vital.
Seria interessante se a filha adolescente de Julia e Steve tivesse ciúmes do pai e competisse com a mãe, e decidisse sumir com o livro que marcara seu romance, iniciado na subida a Murray Hill, em um dia de sol, e terminado com chave de ouro na livraria da universidade, em cujo café eles tinham se sentado para tomar alguma coisa – ela, um chá de hibisco, ele uma Bud. Essa filha ciumenta receberia um sermão na cozinha, e dali há uma semana Julia e Steve estariam comemorando seus 35 anos de casados no jardim do seu sítio. Steve comprou para Julia as edições completas de Brautigan. E dedicou cada livro novamente a ela e só ela. E quem deu a sorte de ficar com sua primeira e auspiciosa prova de amor fui eu.
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